Sobre este espaço

"Existem maneiras de pensar, agir e viver que possam ser mais satisfatórias, emocionantes, e principalmente dignas, do que as formas como pensamos, agimos e vivemos atualmente?"


Um de nossos tantos desejos... Se algum material que colocamos aqui, de alguma forma, estimular você a pensar ou sentir algo, pedimos de coração para que você use estas ideias. Copie, mude, concorde, discorde. A intenção deste blog é incentivar o questionamento e a intervenção das pessoas na sociedade. Pegue os textos, tire xerox, CONVERSE mais, faça por você, faça por todos nós, faça por ninguém. E se quiser, entre em contato(conosco, c/ qualquer um, com o meio, c/ a natureza...) Coletiva e humilde-mente - vive em paz, revolte-se!

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Floresomos...

... Florindo numa perspectiva de integralidade, germina-se uma reflexão alternativa para que pensemos a harmonia, em vida, como uma conexão entre os seres...
Pois nos encontramos amarrados, no desencontro...


Naturais, passeamos pela existência que cria a vida crua, dos seres nus, sem ruas. E por fora da “ponte do racional”, que a tudo ignora, flutuemos pelo que se faz, em paz... A veia é florida; a via, temida... e que tememos, naturalmente. Corremos pela veia, e não pela via. ... Como animais, contemplemos inteirados, nadando no todo ar, esse horizonte que (nos) eterniza, unindo, no brilho dos olhares, a vida. “—Bastar-me-ia viver assim, olhando, contemplando contigo, alada vida”... Naquilo que não precisamos explicar, apenas ser e sentir. Viajando por essa imensidão, voamos num instante à fluidez das harmonias: vislumbramos deslumbrados que, saindo de nossas cabeças muradas, deslizamos por uma pureza delicada, leve e colorida, tornando-nos integrados, num infinito laço de vida sem nó, e conosco, fora desses maquiados rostos que somos que somam menos vida...


E nesses sonhos...

Acordamos ou dormimos... se adormecidos, voamos acordados?

Desperto mais uma vez, somente em mim, trancado...

...

Rafael

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pensamento vago e displicente acerca da fragilidade afetiva


O homem moderno vive uma vida onde a velocidade e a constante movimentação lhe dão o sentido. Ficar parado é estagnar no tempo, portanto não se desenvolver. Não me admira a lógica civilizacional ser a do constante, ininterrupto e progressivo desenvolvimento e crescimento. Parar, ou estagnar, vai de contra essa ordem. Nossas vidas são tão movimentadas que chegam a ser entediantes. Já nos acustumamos com a correria de forma que ela se tornou a nova estagnação. Mas ainda assim, pensamos que o problema está na velocidade em que dirigimos nosso cotidiano e não na necessidade ou não de se manter em movimento. Afinal, o que fazemos quando estamos entediados de nossas vidas corridas e atarefadas: procuramos novas coisas para fazer. Trocamos sempre o veículo por um que seja mais rápido, mas dificilmente nos perguntamos se precisamos mesmo dele, ou se precisamos dele tão veloz quanto é ou pode ser.
Esse idéia pode ser perebida na fragilidade dos laços afetivos. Temos a necessidade de abalar nossa quietude particular com uma relação, temos necessidade de se relacionar com outros. Mas temos grande dificuldade de nos manter nessa relação por muito tempo, pois abala a ordem da movimentação constante. Isso abala o fluxo da vida, que deve estar sempre em movimento, nascendo, morrendo e renascendo.
Abdicar da solidão por um relacionamento é como abdicar de um ciclo – uma forma de viver – e começar a construir outro. Desistimos desse ciclo de solidão por designarmos que ele não nos fornece mais a emoção e os sentimentos necessários para nos fazer seguir em frente. Assim buscamos os sentimentos que nos faltavam em um novo ciclo, no caso, em um novo relacionamento. Porém, o nosso apego a esses ciclos é totalmente artificial. Não se trata de realmente buscar em cada um deles o que nos falta por dentro, mas sim, continuar se movimentando, afinal, essa movimentação é revestida por nossa cultura por um aspécto de progresso e melhoramento. Assim, todos os ciclos se mostram insuficientes e por isso destruimo-los, buscando cada vez mais e mais ciclos, sempre na busca infinita pela auto-satisfação afetiva. Isso fragiliza nossa capacidade de se aprofundar em nossas relações – e talvez até mesmo de se aprofundar em outras experiências da vida que não sejam necessariamente afetivas. Não nos preocupamos em aprofundar nossas relações porque sempre podemos buscar o que falta no próximo da fila. E assim vivemos, sempre em busca de encontrar novas experiências afetivas nos relacionando com pessoas ou grupos, mas nunca nos aproximamos ou aprofundamo-nos o suficiente para poder perceber o que realmente vale a pena nessa relação. Apenas buscamos superficialmente o que procuramos, sem nem mesmo sabermos ao certo o que é. Destruimos esse laço com facilidade porque nunca nos esforçamos para fortificá-lo. Por ser tão frágil, quebramo-os e partimos para outra relação, ou seja, desfazemo-nos do velho ciclo e trocamos por um novo.
Talvez seja ousado dizer que isso é produto da cultura à que estamos inseridos (ou talvez não). Talvez seja ainda mais ousado tomar uma atitude contra isso. Mas, o mínimo que podemos fazer, aceitando esse fenômeno da fragilidade afetiva, é tentar buscar o que nos falta não no relacionamento ao lado, mas sim, talvez, em uma camada mais profunda do relacionamento atual.
Independente disso, alguma coisa precisa ser feita, ou nossos filhos correm o risco de serem ainda mais bizarros socialmente do que nós somos hoje.
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Ass: MagrO