Preste atenção em como anda o mundo
Depois que tudo se vendeu
Notícias de dias tão pertos e até o que nem aconteceu
Alimentando todos os sonhos com o nada que ninguém lhe deu
Onde começa o infinito ou se termina com o que já venceu
O mundo respira por um triz
Ainda bem
Um pouco dos restos de ontem
É o que se tem
Poque não querer sair do mesmo
Ver o retrato todo em outra cor
Uma cor por vez pra ver direito
É sempre tudo com o mesmo som
Consertando assim que eu conheço
E se mudar entenda o outro tom
Atè aonde a vista alcança ou
Deixando o que se tem do bom
O mundo respira por um triz
Ainda bem
Um pouco dos restos de ontem
É o que se tem
Sobre este espaço
"Existem maneiras de pensar, agir e viver que possam ser mais satisfatórias, emocionantes, e principalmente dignas, do que as formas como pensamos, agimos e vivemos atualmente?"
Um de nossos tantos desejos... Se algum material que colocamos aqui, de alguma forma, estimular você a pensar ou sentir algo, pedimos de coração para que você use estas ideias. Copie, mude, concorde, discorde. A intenção deste blog é incentivar o questionamento e a intervenção das pessoas na sociedade. Pegue os textos, tire xerox, CONVERSE mais, faça por você, faça por todos nós, faça por ninguém. E se quiser, entre em contato(conosco, c/ qualquer um, com o meio, c/ a natureza...) Coletiva e humilde-mente - vive em paz, revolte-se!
Um de nossos tantos desejos... Se algum material que colocamos aqui, de alguma forma, estimular você a pensar ou sentir algo, pedimos de coração para que você use estas ideias. Copie, mude, concorde, discorde. A intenção deste blog é incentivar o questionamento e a intervenção das pessoas na sociedade. Pegue os textos, tire xerox, CONVERSE mais, faça por você, faça por todos nós, faça por ninguém. E se quiser, entre em contato(conosco, c/ qualquer um, com o meio, c/ a natureza...) Coletiva e humilde-mente - vive em paz, revolte-se!
sábado, 19 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
A pressa não é inimiga da perfeição. É inimiga da vida.
Há um tempo atrás fizemos um protesto na avenida do Cassino. Éramos 14 pessoas de bicicleta, trancando o trânsito. Queríamos mostrar nossa indignação por não termos nossos direitos como ciclistas, por termos que encarar uma estrada sem acostamento, com milhares de automóveis agindo como se fossem máquinas de guerra.
Claro que ouvimos muitas buzinas e xingamentos. Mas o que me chamou atenção, foi o que um cara que esperava o ônibus falou : "Que horas eu vou chegar em casa?". Creio que é o que toda pessoa dentro de um automóvel pensa enquanto dirige: na pressa de chegar.
Quando estou pedalando, não tenho pressa de chegar em casa. Porque o que quero é chegar em casa. Morro de medo cada vez que pego a estrada e vejo aquele monte de carros, uns ultrapassando os outros, querendo correr mais - e mostrar que seu carro corre mais -. Fico espremida em um canto, tentando pedalar em cima de uma faixa branca - porque depois dela ao invés de acostamento, há pedras, buracos e restos de carros - que mais parece uma corda bamba. E tudo isso para não ser arremessada com minha bicicleta. Enquanto quem está dentro do carro, acha que está em uma corrida: tem que passar por cima de outros carros, de outras vidas, para chegar mais rápido. Sem ao menos pensar que outros, ou ele mesmo, possam nem chegar.
Ass: Livia
Claro que ouvimos muitas buzinas e xingamentos. Mas o que me chamou atenção, foi o que um cara que esperava o ônibus falou : "Que horas eu vou chegar em casa?". Creio que é o que toda pessoa dentro de um automóvel pensa enquanto dirige: na pressa de chegar.
Quando estou pedalando, não tenho pressa de chegar em casa. Porque o que quero é chegar em casa. Morro de medo cada vez que pego a estrada e vejo aquele monte de carros, uns ultrapassando os outros, querendo correr mais - e mostrar que seu carro corre mais -. Fico espremida em um canto, tentando pedalar em cima de uma faixa branca - porque depois dela ao invés de acostamento, há pedras, buracos e restos de carros - que mais parece uma corda bamba. E tudo isso para não ser arremessada com minha bicicleta. Enquanto quem está dentro do carro, acha que está em uma corrida: tem que passar por cima de outros carros, de outras vidas, para chegar mais rápido. Sem ao menos pensar que outros, ou ele mesmo, possam nem chegar.
Ass: Livia
Relações humanas...
O que você faz? Nomes, rótulos, credenciais... não te toco, não me tocas. Olho no olho, calculando. Sentindo(?)! Identificando vantagens, valores automática-mente. Estou interessado, pois posso pegar pra mim...pra mim.
Sua importância é proporcional ao seu desempenho em cumprir. Cumprir com um papel nessa história sem sentido e mal contada. O véu, mel e fel se confundem, e nos confundem na repetição da rotina do sofrimento e constrangimento de 'ter que ser alguém' assim e aqui.
Sua importância é proporcional ao seu desempenho em cumprir. Cumprir com um papel nessa história sem sentido e mal contada. O véu, mel e fel se confundem, e nos confundem na repetição da rotina do sofrimento e constrangimento de 'ter que ser alguém' assim e aqui.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
AINDA QUE SEGURE O VOLANTE, É SEU CARRO QUEM CONDUZ SUA VIDA PELAS RUAS DA CONTRADIÇÃO.
As ruas são de todos. De todos que têm coragem suficiente para enfrentá-las. Em meio urbano, existem poucos ambientes mais hostís para o homem do que as avenidas, estradas e ruas que rasgam nossas paisagens. Em nosso modo de vida, a forma mais fácil de sofrer um acidente fatal é sendo atropelado por um automóvel. Isso é assustador, e mais ainda quando lembramos que atravessamos uma a cada 50 passos que damos em nossas cidades.
Se as ruas são de todos os homens, então deveriam ser adequadas às necessidades do homem. Mas como a rua pode ser algo adequado às necessidades humanas se a cada momento que estamos nela, corremos sério risco de vida?
Isso acontece porque, na verdade, as ruas não foram feitas para o homem, mas sim para os automóveis. Elas foram projetadas visando o bom funcionamento do tráfego de veículos, mas nunca o bem estar das vidas que a utilizam, e muito menos às vidas em seu entorno. A rua é de todos e para todos; de todos os carros e para todos os carros.
As ruas são territórios roubados. São espaços que foram tomados do homem e transformados para se adaptarem às necessidades das máquinas. O homem não se preocupa hoje em fazer com que seu transporte se adapte às características do terreno, mas sim, preocupa-se em adaptar o terreno ao transporte que lhe agrada usar. Derruba os montes, aplaina as dunas, derruba as matas, aterra os banhados e extermina os animais. Homens e animais sofrem. Tudo para construir uma cicatriz de concreto na pele do mundo. Onde irão trafegar máquinas de metal supervelozes que, ao menor descuido (e nós humanos somos ótimos em cometer descuidos) podem matar pessoas. E por mais que você já não se preocupe mais tanto, a fumaça dos carros ainda polui nosso ar, e sempre irá poluir. Esse preço é caro demais a pagar pelo nosso desejo de chegar mais rápido.
Não quero dizer que devemos destruir as estradas, queimar os carros ou vivermos presos em nossa casa (a não ser que isso seja de sua preferencia). Só desejo relembrar que, apesar de necessário no estágio em que nossa sociedade se encontra, o transporte por automóveis parte de premissas e conceitos nocivos a nossa humanidade. Se trata de remodelar o ambiente para que ele se adapte aos nossos fetiches sociais. É um exemplo de nossa desconexão com a natureza. Somos os únicos animais que não tentam se adaptar ao ambiente, mas sim, que adapta o ambiente aos seus desejos. As consequências disso não são novidade: morte de pedestres, destruição de espaços naturais para construção de ruas, poluição do ar, poluição sonora e visual, estresse, impaciência, perda da noção de perigo, necessidade de consumo de automóveis caros, crescimento das grandes empresas automotivas multinacionais, e muitas outras que você pode perceber olhando para as ruas com um olhar mais crítico.
Ainda assim, dependemos dos automóveis, assim como dependemos de armas e drogas. O que nos resta é repensar até que ponto o risco vale a pena. Desenvolver uma capacidade de discernimento quanto aos malefícios que nossos costumes podem gerar é um começo. Num segundo passo, podemos pensar novas formas de nos locomover dentro da cidade, e até para fora dela. Devemos pensar no que não está mais funcionando e propor algo novo, que não seja apenas mais do mesmo ou o mesmo disfarçado.
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Ass: MagrO
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
VIREMOS NADA, SOMOS TUDO...
“... Muros e bandeiras nas fronteiras do tudo... Ou do nada?”
São os nomes, considerando seus acarretados atributos, devidamente separados e distribuídos. O nome (no exercício de classificar e dividir) remete diretamente ao domínio. A domesticação é um exemplo prático, pois tal interação se dá através de um contato basicamente hierárquico, por assim dizer. Uma interação entre um dono e um dominado, logo servo. É claro, o homem moderno é gloriosamente soberano, ostentado sob os tijolos de sua tecnologia "sobrenatural" ou das coisas ditas “humanas.” As definições são celas, registradas na teia da escravidão. Assim como em línguas e bandeiras, as distâncias são decretadas, estipulando limites. Solitários animais, amarrados a seus respectivos grupos e cargos, em frágeis compatibilidades, obsessivas competições e assassinos interesses possessivos, associados comercial e condicionalmente.
A exposição ao tudo, seja no vento, no mar ou na liberdade mental, é a chave da independência, e independentemente da palavra, resgatará relações afetivas e naturais da obsessiva gaiola do ego...
Rafael
São os nomes, considerando seus acarretados atributos, devidamente separados e distribuídos. O nome (no exercício de classificar e dividir) remete diretamente ao domínio. A domesticação é um exemplo prático, pois tal interação se dá através de um contato basicamente hierárquico, por assim dizer. Uma interação entre um dono e um dominado, logo servo. É claro, o homem moderno é gloriosamente soberano, ostentado sob os tijolos de sua tecnologia "sobrenatural" ou das coisas ditas “humanas.” As definições são celas, registradas na teia da escravidão. Assim como em línguas e bandeiras, as distâncias são decretadas, estipulando limites. Solitários animais, amarrados a seus respectivos grupos e cargos, em frágeis compatibilidades, obsessivas competições e assassinos interesses possessivos, associados comercial e condicionalmente.
A exposição ao tudo, seja no vento, no mar ou na liberdade mental, é a chave da independência, e independentemente da palavra, resgatará relações afetivas e naturais da obsessiva gaiola do ego...
Rafael
domingo, 30 de janeiro de 2011
Sou um qualquer. Sou alguém
Comum adj. 2g. 1. De todos ou muitos; geral. 2. Habitual; usual; costumeiro. 3. Vulgar; banal; ordinário. 4. Feito em sociedade ou comunidade.
O que se pode refletir sobre a expressão “pessoa comum”?
Se nos considerarmos pessoas comuns, estamos em quais “setores” da sociedade?
O que pode(ria)mos ser/fazer, sendo pessoas quaisquer, sendo um Zé ninguém?
Talvez eu possa contribuir para se pensar sobre isto, uma vez que me considero um “qualquer”. Num primeiro momento, me vem à cabeça que o comum é oposto do famoso, do especial, do extraordinário, do destacado, etc. Celebridades, artistas, “intelectuais”, cientistas, médicos, políticos, grandes líderes e afins, de acordo com minha formação como pessoa, não são comuns, não são os “qualquer um”. Os comuns seriam os desconhecidos, os que não figuram nos jornais, na televisão, nas revistas entre outros meios de comunicação massivos (e maçantes). Dependendo, podem ser às vezes, as maiorias ou as minorias. São os desempregados e empregados que ganham pouco, se comparados com aqueles que citei acima. São aqueles que podem ser mais um número na associação a um partido, mais um número nos insatisfeitos (acho que quase todos), e mais um número nas filas de lojas e hospitais, e mais um nas estatísticas, sejam elas de mortos ou de vivos que não vivem. Podem ser sonhadores e lutadores que carregam a marca da angústia. Podem ser padeiros, mecânicos, professores, estudantes, mendigos etc. e até os artistas que citei antes, dependendo da sua visibilidade. É como se o que determinasse o quanto “comum” e o quanto “extraordinário” você é, fosse seu currículo, prestígio e dinheiro, não necessariamente nessa ordem. É claro que todos são muito mais do que "isto" ou "aquilo" que eu possa dizer aqui, ninguém (nenhum ser vivo) deveria ser reduzido a um nome, rotulo, papel, utilidade.
Talvez o “qualquer” não seja só visto como o oposto do famoso, do extraordinário, mas em certos momentos, o oposto do importante. Um pouco neste sentido, pode se encaixar, por exemplo, a grande valorização que fazemos sobre cursar um curso na universidade. É fácil de perceber que o ensino FUNDAMENTAL recebe menos prestígio que o SUPERIOR. Não sei se fui claro. É engraçado (talvez não) pensar que o que se chama de superior chame mais atenção das pessoas do que o que é tido como fundamental. Mesmo sendo o ensino fundamental considerado teoricamente o mais importante, não é tão “legal”, e nem tão importante em certos momentos (ou a toda hora) quanto o superior. Em pequenas situações do dia-a-dia isto pode ser percebido. Uma experiência minha estes tempos deixa isto bem claro. Foi assim:
Eu e um amigo estávamos participando de um passeio ciclístico, e resolvemos entregar uns panfletos com o objetivo de incitar a reflexão coletiva e informal. Entregamos para algumas pessoas e, ao entregar para uma destas, fomos perguntados: “Mas de onde vocês são?”. Então respondemos o nome do nosso bairro, e ela (a pessoa) continuou: “O que vocês fazem?”. E nós: “Como assim?” e ela explicou: “Tá, mas qual curso vocês fazem?”. Eu e meu amigo ficamos quase que rindo da situação, pois não sabíamos o que responder.
Entendo que nesta ocasião esteja evidenciado o prestígio que se dá às pessoas que tenham algum diploma. Isto é visível. Mas o intrigante é pensar que em uma conversa informal na rua, as pessoas (comuns) necessitem de distintivos, currículos, entre outros pré-requisitos, para se relacionarem. Uma conversa não (?) é uma entrevista de emprego, ou de associação para um grupo!!! Uma possível explicação para esta forma de ver as coisas está na idéia de que um estudante de um curso de nível superior está se encaminhando para ser alguém mais importante socialmente, do que era antes de cursar a faculdade. Está tentando “ser alguém na vida”.
Somos forçados a querer “ser alguém”. Ser uma pessoa com força de vontade e que vive a vida. O ruim é ser um ninguém. Somos convencidos de que nós, os ninguéns, não podemos ser decisivos na construção da vida em sociedade. Isto se deve em parte, a ideia de que simplesmente não somos capazes. Os que são capazes são os grandes, os ilustres, os celebres. Então, estando condenados à submissão, absorvemos o pensamento de nos conformarmos, ao mesmo tempo em que reclamamos, vivendo de acordo com o modo de vida que nos dá insatisfação. Compensados pelos momentos de “prazer” que são determinados como os únicos pra nós, geralmente os que nos deixam em posição de mandar, ter, ou saber, mais que as pessoas a nossa volta.
Só consigo ver este pensamento assim: “Ser alguém na vida” é ter estabilidade financeira. É destacar-se. É, quem sabe, assumir cargos mais elevados. É dar o seu melhor, para ser melhor, que os outros, é claro. É ser influente. Como nos outdoors, que dizem quais sonhos devemos ter. É ter uma vida honesta, sempre competindo deslealmente. É dar discursos. Dentro de uma imensa massa de trabalhadores, consumidores, espectadores, desejar SEMPRE cada vez mais progredir. Tentar conseguir um trabalho melhor (um salário melhor). Tentar poder comprar mais coisas melhores (mais caras). Tentar “estar por dentro” dos meios que determinam sua vida. Sentados perto ou longe dos atores, aplaudindo ou vaiando, somos meros espectadores.
Mas, é preciso lembrar que as coisas não SÃO assim. As coisas ESTÃO assim. Isso muda tudo. É preciso tentar descobrir de onde vem esta visão a qual somos condenados. Somos pessoas que PODEM aprender umas com as outras e por si próprias. O potencial de transformação que uma conversa animada entre amigos pode ter é gigantesco. Ninguém pode controlar as idéias livres. A pessoa comum é a mais forte, na medida em que a sua vida é como se fosse a de qualquer outra, o que capacita qualquer pessoa de fazer qualquer coisa que viu, e recriá-la. Pessoas que se conhecem podem criar uma infinidade de possibilidades de atividade para suas vidas e, conseqüentemente, influenciar outras, ao mesmo tempo em que sofrem influência. A pichação de um muro; uma conversa reflexiva; um olhar atento e humilde sobre onde estamos e o que estamos fazendo (e queremos fazer) aqui; a espontaneidade e a organização; o perguntar, duvidar; o ENCONTRO entre seres humanos condenados pelo meio em que nasceram e a sua conseqüente indignAção, são formas de mudar as coisas, mudanças que não podem e nem poderiam ser impedidas ou medidas. Zé ninguém=Alguém na vida
Matheus
O que se pode refletir sobre a expressão “pessoa comum”?
Se nos considerarmos pessoas comuns, estamos em quais “setores” da sociedade?
O que pode(ria)mos ser/fazer, sendo pessoas quaisquer, sendo um Zé ninguém?
Talvez eu possa contribuir para se pensar sobre isto, uma vez que me considero um “qualquer”. Num primeiro momento, me vem à cabeça que o comum é oposto do famoso, do especial, do extraordinário, do destacado, etc. Celebridades, artistas, “intelectuais”, cientistas, médicos, políticos, grandes líderes e afins, de acordo com minha formação como pessoa, não são comuns, não são os “qualquer um”. Os comuns seriam os desconhecidos, os que não figuram nos jornais, na televisão, nas revistas entre outros meios de comunicação massivos (e maçantes). Dependendo, podem ser às vezes, as maiorias ou as minorias. São os desempregados e empregados que ganham pouco, se comparados com aqueles que citei acima. São aqueles que podem ser mais um número na associação a um partido, mais um número nos insatisfeitos (acho que quase todos), e mais um número nas filas de lojas e hospitais, e mais um nas estatísticas, sejam elas de mortos ou de vivos que não vivem. Podem ser sonhadores e lutadores que carregam a marca da angústia. Podem ser padeiros, mecânicos, professores, estudantes, mendigos etc. e até os artistas que citei antes, dependendo da sua visibilidade. É como se o que determinasse o quanto “comum” e o quanto “extraordinário” você é, fosse seu currículo, prestígio e dinheiro, não necessariamente nessa ordem. É claro que todos são muito mais do que "isto" ou "aquilo" que eu possa dizer aqui, ninguém (nenhum ser vivo) deveria ser reduzido a um nome, rotulo, papel, utilidade.
Talvez o “qualquer” não seja só visto como o oposto do famoso, do extraordinário, mas em certos momentos, o oposto do importante. Um pouco neste sentido, pode se encaixar, por exemplo, a grande valorização que fazemos sobre cursar um curso na universidade. É fácil de perceber que o ensino FUNDAMENTAL recebe menos prestígio que o SUPERIOR. Não sei se fui claro. É engraçado (talvez não) pensar que o que se chama de superior chame mais atenção das pessoas do que o que é tido como fundamental. Mesmo sendo o ensino fundamental considerado teoricamente o mais importante, não é tão “legal”, e nem tão importante em certos momentos (ou a toda hora) quanto o superior. Em pequenas situações do dia-a-dia isto pode ser percebido. Uma experiência minha estes tempos deixa isto bem claro. Foi assim:
Eu e um amigo estávamos participando de um passeio ciclístico, e resolvemos entregar uns panfletos com o objetivo de incitar a reflexão coletiva e informal. Entregamos para algumas pessoas e, ao entregar para uma destas, fomos perguntados: “Mas de onde vocês são?”. Então respondemos o nome do nosso bairro, e ela (a pessoa) continuou: “O que vocês fazem?”. E nós: “Como assim?” e ela explicou: “Tá, mas qual curso vocês fazem?”. Eu e meu amigo ficamos quase que rindo da situação, pois não sabíamos o que responder.
Entendo que nesta ocasião esteja evidenciado o prestígio que se dá às pessoas que tenham algum diploma. Isto é visível. Mas o intrigante é pensar que em uma conversa informal na rua, as pessoas (comuns) necessitem de distintivos, currículos, entre outros pré-requisitos, para se relacionarem. Uma conversa não (?) é uma entrevista de emprego, ou de associação para um grupo!!! Uma possível explicação para esta forma de ver as coisas está na idéia de que um estudante de um curso de nível superior está se encaminhando para ser alguém mais importante socialmente, do que era antes de cursar a faculdade. Está tentando “ser alguém na vida”.
Somos forçados a querer “ser alguém”. Ser uma pessoa com força de vontade e que vive a vida. O ruim é ser um ninguém. Somos convencidos de que nós, os ninguéns, não podemos ser decisivos na construção da vida em sociedade. Isto se deve em parte, a ideia de que simplesmente não somos capazes. Os que são capazes são os grandes, os ilustres, os celebres. Então, estando condenados à submissão, absorvemos o pensamento de nos conformarmos, ao mesmo tempo em que reclamamos, vivendo de acordo com o modo de vida que nos dá insatisfação. Compensados pelos momentos de “prazer” que são determinados como os únicos pra nós, geralmente os que nos deixam em posição de mandar, ter, ou saber, mais que as pessoas a nossa volta.
Só consigo ver este pensamento assim: “Ser alguém na vida” é ter estabilidade financeira. É destacar-se. É, quem sabe, assumir cargos mais elevados. É dar o seu melhor, para ser melhor, que os outros, é claro. É ser influente. Como nos outdoors, que dizem quais sonhos devemos ter. É ter uma vida honesta, sempre competindo deslealmente. É dar discursos. Dentro de uma imensa massa de trabalhadores, consumidores, espectadores, desejar SEMPRE cada vez mais progredir. Tentar conseguir um trabalho melhor (um salário melhor). Tentar poder comprar mais coisas melhores (mais caras). Tentar “estar por dentro” dos meios que determinam sua vida. Sentados perto ou longe dos atores, aplaudindo ou vaiando, somos meros espectadores.
Mas, é preciso lembrar que as coisas não SÃO assim. As coisas ESTÃO assim. Isso muda tudo. É preciso tentar descobrir de onde vem esta visão a qual somos condenados. Somos pessoas que PODEM aprender umas com as outras e por si próprias. O potencial de transformação que uma conversa animada entre amigos pode ter é gigantesco. Ninguém pode controlar as idéias livres. A pessoa comum é a mais forte, na medida em que a sua vida é como se fosse a de qualquer outra, o que capacita qualquer pessoa de fazer qualquer coisa que viu, e recriá-la. Pessoas que se conhecem podem criar uma infinidade de possibilidades de atividade para suas vidas e, conseqüentemente, influenciar outras, ao mesmo tempo em que sofrem influência. A pichação de um muro; uma conversa reflexiva; um olhar atento e humilde sobre onde estamos e o que estamos fazendo (e queremos fazer) aqui; a espontaneidade e a organização; o perguntar, duvidar; o ENCONTRO entre seres humanos condenados pelo meio em que nasceram e a sua conseqüente indignAção, são formas de mudar as coisas, mudanças que não podem e nem poderiam ser impedidas ou medidas. Zé ninguém=Alguém na vida
Matheus
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Internacional Consumista
Tomara que o questionamento do consumismo não caia na esperança passiva de acreditar em um "consumo consciente", discurso oficial da sociedade de consumo, afinal, está na moda respeitar o meio ambiente.
Podemos ouvir se prestarmos atenção no que está sendo dito na tv:
"Proteja o meio ambiente, compre!"
Veja como respeitamos o meio ambiente. Nenhum outro ser vivo pode fazer esta façanha de agarrar o planeta nas mãos, somente os governantes da Terra, o Deus Homem...que sabedoria...
Ass: Matheus
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domingo, 2 de janeiro de 2011
Veias em vias
"E a santa Sociedade ainda é a mesma, fabricada por escravos destinados às maneiras mais cruéis de assassinato, embalados em bandeiras nacionais, sorrindo... transpiram exploração em massa..."
sábado, 1 de janeiro de 2011
CITAÇÃO: Em que sentido o homem possui um poder crescente sobre a Natureza? (C. S. Lewis)
Vou postar aqui um pequeno trecho de A Abolição do Homem, um livro de C. S. Lewis, escritor irlandês que além de escrever obras acadêmicas também é o autor da ficção As Crônicas de Nárnia. Esse trecho é interessante para se pensar até onde pode ir o argumento dos benefícios gerados pelo homem ter "vencido" a Natureza.
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"Em que sentido o Homem possui um poder crescente sobre a Natureza?
Consideremos três exemplos típicos: o avião, o rádio e os anticoncepcionais. Numa comunidade civilizada, em tempos pacíficos, qualquer um que tenha dinheiro pode fazer uso dessas três coisas. Mas não se pode dizer estritamente que quem o faz está exercendo seu poder pessoal ou individual sobre a Natureza. Se eu pago para que alguém me leve a algum lugar, não se pode dizer que eu seja um homem que dispõe de poder. Todas e cada uma das três coisas que mencionei podem ser negadas a alguns homens por outros homens — por aqueles que vendem, ou por aqueles que permitem que sejam vendidas, ou por aqueles que possuem os meios de produzi-Ias, ou por aqueles que as produzem. Aquilo que chamamos de poder do Homem é, na realidade, um poder que alguns homens possuem, e que por sua vez podem ou não delegar ao resto dos homens. Novamente, no que se refere ao poder do avião ou do rádio, o Homem é tanto o paciente ou o objeto como o possuidor de tal poder, uma vez que ele é o alvo tanto das bombas quanto da propaganda. E, quanto aos anticoncepcionais, existe paradoxalmente um sentido negativo no qual todas as possíveis gerações futuras são os pacientes ou objetos de um poder exercido por aqueles que já vivem. Pela contracepção enquanto tal, simplesmente lhes é negada a existência; pela contracepção usada como meio de reprodução seletiva, são obrigados a ser, sem que ninguém os consulte, o que uma geração, por suas próprias razões, vier a escolher. Sob esse ponto de vista, o que chamamos de poder do Homem sobre a Natureza se revela como um poder exercido por alguns homens sobre outros, com a Natureza como instrumento."
(C. S. Lewis. A Abolição do Homem. página 24)
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Livro completo em .PDF: A Abolição do Homem
Livro encontrado em: Grupo de Discussões - Civilização
Ass: MagrO
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"Em que sentido o Homem possui um poder crescente sobre a Natureza?
Consideremos três exemplos típicos: o avião, o rádio e os anticoncepcionais. Numa comunidade civilizada, em tempos pacíficos, qualquer um que tenha dinheiro pode fazer uso dessas três coisas. Mas não se pode dizer estritamente que quem o faz está exercendo seu poder pessoal ou individual sobre a Natureza. Se eu pago para que alguém me leve a algum lugar, não se pode dizer que eu seja um homem que dispõe de poder. Todas e cada uma das três coisas que mencionei podem ser negadas a alguns homens por outros homens — por aqueles que vendem, ou por aqueles que permitem que sejam vendidas, ou por aqueles que possuem os meios de produzi-Ias, ou por aqueles que as produzem. Aquilo que chamamos de poder do Homem é, na realidade, um poder que alguns homens possuem, e que por sua vez podem ou não delegar ao resto dos homens. Novamente, no que se refere ao poder do avião ou do rádio, o Homem é tanto o paciente ou o objeto como o possuidor de tal poder, uma vez que ele é o alvo tanto das bombas quanto da propaganda. E, quanto aos anticoncepcionais, existe paradoxalmente um sentido negativo no qual todas as possíveis gerações futuras são os pacientes ou objetos de um poder exercido por aqueles que já vivem. Pela contracepção enquanto tal, simplesmente lhes é negada a existência; pela contracepção usada como meio de reprodução seletiva, são obrigados a ser, sem que ninguém os consulte, o que uma geração, por suas próprias razões, vier a escolher. Sob esse ponto de vista, o que chamamos de poder do Homem sobre a Natureza se revela como um poder exercido por alguns homens sobre outros, com a Natureza como instrumento."
(C. S. Lewis. A Abolição do Homem. página 24)
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Ass: MagrO
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Earth First
Com o progresso da crítica cultural, novas formas de se opor ao sistema vêm se desenvolvendo. Uma manifestação singular desse descontentamento social é expressada pelo movimento Earth First. Acho relevante disseminar essas manifestações, apesar de ser sempre necessário se fazer uma critica quanto ao que é apresentado. Só assim não corremos o risco de sermos levados para corrente sem nem ao menos saber qual o destino. Ai vai um pouco do que "é" o movimento:
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Earth First!
PORQUE EARTH FIRST?
Você está cansado de grupos ambientais piegas? Você está cansado de ambientalistas corporativos super-pagos que pelam o saco dos burocratas e da indústria? Você foi desabilitado pela abordagem reducionista de profissionais ambientais e cientistas?
Se você respondeu sim a qualquer uma destas perguntas, então Earth First! é para você. Earth First! é efetivo. Nossa linha de frente, a abordagem de ação direta para proteger a vida selvagem consegue resultados. Nós tivemos sucesso em casos onde outros grupos ambientais desistiram, e chamamos a atenção pública às crises afrontando o mundo natural.
Earth First! foi fundado em 1979, em resposta a uma comunidade ambientalista letárgica, transigente e crescentemente corporativa. Earth First! tem uma conduta decididamente diferente em relação aos problemas ambientais. Nós acreditamos em usar todas as ferramentas disponíveis, se estendendo desde organizar o povão e o envolvimento no processo legal até a desobediência civil e a danificação de equipamentos.
Earth First! é diferente de outros grupos ambientais. Aí estão algumas coisas para se ter em mente sobre o Earth First! e algumas sugestões para ser um Earth First!er ativo e útil: Primeiro de tudo, Earth First! não é uma organização, e sim um movimento. Não existem "membros" do Earth First!, somente Earth First!ers. É uma convicção no biocenrismo de que a vida (a Terra) vem primeiro, e um exercício de pôr as nossas convicções em ação.
Embora haja uma ampla diversidade dentro do Earth First! (de vegans defensores dos direitos dos animais a guias de caças em selvas, de sabotadores a atentos seguidores de Gandhi, de gentalha bêbada da roça a filósofos pensativos, de misantropos a humanistas), há acordo em uma coisa, a necessidade de ação!
EARTH FIRST É DIFERENTE!
Para começar, nós não acreditamos que é suficiente preservar uma parte da nossa vida selvagem remanescente. Nós precisamos preservá-la toda, e é tempo de recriar vastas áreas selvagens em todos os ecossistemas do planeta: identificar áreas-chave, fechar estradas, remover aproveitamentos e reintroduzir as espécies animais extirpadas.
Não é suficiente nos opormos à construção de novas barragens. É tempo de libertar os nossos rios algemados e derrubar Hetch Hetchy, Glen Canyon, New Melones, Tellico e outras monstruosidades de concreto.
Enquanto muitos grupos ambientais são membros do establishment político americano e adotam essencialmente a visão de mundo antropocêntrica (centrada no ser humano) da civilização industrial, nós dizemos que as idéias e manifestações da civilização industrial são anti-Terra, anti-mulher e anti-liberdade. Nós estamos desenvolvendo um novo paradigma biocêntrico baseado no valor intrínseco de todas as coisas da natureza: a Ecologia Profunda. Earth First! acredita na vida selvagem por si mesma.
Fazer lobbies, processos judiciais, escrever cartas e documentos de pesquisas são importantes e necessários. Mas não são o suficiente. Os Earth First!ers também usam a confrontação, o teatro engajado, a ação direta e a desobediência civil para lutar pelas áreas selvagens e processos vitais. E, embora não ignoremos ou condenemos a danificação de equipamentos, a ecotagem ou outras formas de destruição de propriedade, nós apresentamos um fórum para a troca de idéias de oposição criativa ao ídolo do progresso, incluindo idéias sobre danificação de equipamentos.
Para evitar a cooptação, nós achamos necessário evitar a estrutura organizacional corporativa tão facilmente abraçada por muitos grupos ambientais. Earth First! é um movimento, não uma organização. Nossa estrutura é não-hierárquica. Nós não temos uma "equipe profissional" bem paga ou uma liderança formal. Dizendo mais simplesmente, a terra deve vir primeiro.
O QUANTO PROFUNDA É A SUA ECOLOGIA?
Uma coisa é certa quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica . Ela é errada quando tende a outra coisa. (Aldo Leopold)
O insight central de John Muir e da ciência da ecologia foi a compreensão de que todas as coisas são conectadas, relacionadas; que os seres humanos são meramente uma das milhões de espécies que foram formadas pelo processo de evolução por três e meio bilhões de anos. Com esta compreensão, podemos responder melhor à questão "Por que a vida selvagem?"
É porque a vida selvagem dá belos cartões postais? Porque ela protege as bacias hidrográficas para o uso da vazante pela agricultura, a indústria e as casas? Porque ela tira as teias de aranha da nossa cabeça depois de uma longa semana na fábrica de automóveis ou diante do terminal de vídeo? Porque ela preserva as oportunidades de extração de recursos para as futuras gerações de humanos? Porque alguma planta desconhecida que vive no ermo pode conter a cura do câncer?
Não. É porque a vida selvagem existe. Porque ela é o mundo real, o fluxo da vida, o processo da evolução, o repositório destes três bilhões e meio de anos de viagem compartilhada.
Todas as coisas da natureza têm valor intrínseco, importância inerente. O seu valor não é determinado pelo barulho que elas farão soar na caixa registradora, nem se elas são boas ou não. Elas são. Elas existem. Por si mesmas. Sem consideração com qualquer valor real ou imaginado para a civilização humana.
Ainda mais importante que a criatura selvagem individual é a comunidade selvagem interconectada – a vida selvagem, o fluxo de vida não-impedido pela interferência industrial ou pela manipulação humana. Estes temas gêmeos da interconexão e do valor instrínseco formam o âmago das idéias de pensadores ecológicos pioneiros tais como John Muir, Aldo Leopold e Rachel Carson, e são a base da ação dos Earth First!ers. Esta visão de mundo biocêntrica, oposta ao paradigma antropocêntrico da civilização (e à posição reformista dos grupos ambientais do mainstream), tem sido desenvolvida na filosofia da Ecologia Profunda por filósofos como Arne Naess, da Noruega, John Seed, da Austrália, Alan Drengson, do Canadá e George Sessions, Bill Devall, Dolores LaChapelle e Gary Snyder, dos Estados Unidos, entre outros.
Earth First!, resumindo, não opera sobre a base do pragmatismo político, ou do que é percebido como possível. A vida selvagem não é algo que possa ser comprometido na arena política. Nós somos defensores sem pedir desculpas do mundo natural, da Terra.
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Link do Earth First!: http://www.earthfirst.org/
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